Eis aqui a grande invenção da internet! A inimaginável fusão do boteco, ponto de discussões filosóficas e nascedouro das soluções para todos os problemas políticos, econômicos e sociais do mundo, com o hospício, furna da mais pura sinceridade, livre das convenções, amarras e obrigações sociais. Coerências ou devaneios, tudo vale. Tudo é possível. Portanto, seja bem-vindo! Entre, sente, tire a camisa de força e tome mais um gole, sem pressa para pedir a saideira.

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

?????????????????????


Por que tantos porquês?
Por quê?
Qual o porquê das regras fúteis?
Porque sou incompreensível?
Senhores gramáticos:
Vão à merda.
Ou vão a merda!!!

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Agacha, pega e come

Lixão na abandonada Kalil
Foto: Tarcísio Dantas/Jornal da Cidade


Maltrapilho, ele caminha a passos lentos em meio à podridão. De olhar arguto, curvado para baixo, perambula por entre as sobras. Não deixa passar qualquer réstia de subsistência impregnada de chorume. Aos 12 anos, o menino de Riachão do Dantas, a 99 quilômetros de Aracaju, a capital da qualidade de vida, segue os passos da mãe: é um catador.
Para o jornal ele é “Jonathan Silva”. Nome fingido, égide da pouca dignidade que ainda lhe resta. Para o Poder Público, não é ninguém. Mirrado e roto, transita cauteloso como um gato, astuto como um rato, farejador como um cão. Castigado pela fome e pelo sol, não titubeia diante do fétido e nauseabundo pedaço de carne – desperdiçado há um dia ou mais, por alguém de bucho farto ou paladar exigente, que desaprovou a comida. O menino não tem por que esnobar: agacha, pega e come.
“Jonathan” poderia estudar, vislumbrar um futuro. Mas seus sonhos estão castrados. Não quer ser piloto, nem médico, nem professor, nem músico, nem astronauta. Não quer ser nada. Matriculado na 4ª série de uma escola pública, engorda as estatísticas de um governo que contabiliza alunos como quem demarca gado. Arguido sobre a profissão que almeja, responde sem exprimir qualquer emoção: “Ah, sei lá. Qualquer coisa aí”.
Não percebe, mas já é tratado como qualquer coisa. Pela prefeitura, pelo Estado. O terreno onde cata o pão de cada dia; a tira de pano suja que vai aquecer o irmão mais novo; a cadeira quebrada que, com umas marteladas do pai, pode forjar conforto no casebre da zona rural, tudo compõe o cenário vergonhoso do definhamento da educação. Isto porque ali mesmo, onde “Jonathan” sobrevive como bicho, já funcionou uma escola, a Agropecuária de 1º Grau Dr. Nagib Leitune Kalil, construída em 1997 com verbas federais e que, sem motivo reconhecidamente plausível, fechou as portas quatro anos depois.
Dinheiro público foi entornado e o futuro de jovens como “Jonathan” também. A unidade educacional sucumbiu, tomada pelo matagal. Veículos transportadores de alunos perecem ao sol e ao sereno; carteiras formam entulhos; livros destroçados disputam espaço com esterco de animais. As salas de aula da Nagib Kalil transformaram-se em baias – reflexo do tratamento dado aos estudantes de Riachão.
O descalabro afronta, há mais de uma década, os direitos humanos e, em especial, os fundamentais da criança e do adolescente. Entre um prefeito e outro, a política da ‘vista grossa’ persiste, o espectro do descaso percorre corredores de secretarias municipais, estaduais e do Ministério Público. Encrua no gélido mármore que adorna as pomposas edificações da Justiça. Mesmo sabendo que “Jonathan”, todo santo dia, refaz o trajeto da insalubridade e, na luta pela vida, arrisca a própria vida em meio ao lixo hospitalar despejado na antiga Kalil, ninguém toma providência, ninguém move uma palha. Impassível, o menino retribui o desprezo. De olhar curvado para o chão, ele simplesmente agacha, pega e come.

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

"Ecuassão simpres"

Um presidiário custa quase mil e seiscentos reais aos cofres do Estado por mês. Um artista de renome nacional, mais de cem mil por uma hora e meia. Um aluno da rede pública de ensino, míseros R$ 173,56 mensais. Daí que bandidos fazem escola, o piadista Renato Piaba é cidadão aracajuano e o empresário da Calcinha Preta, Gilton Andrade, é forte candidato a ganhar uma medalha de Honra ao Mérito na Assembléia Legislativa, por disseminar a “CUtura" sergipana em rede nacional.

Tirei dez?

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Para um editor libidinoso ou carente, pouco importa a editoria...


"Eu queria ser o banquinho da bicicleta, pra ficar bem no meio das pernas..."

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Terapeuta ocupacional???!!!!

A partida é entre Brigham Young e Novo México, pela Liga de Futebol Feminino dos Estados Unidos. E a zagueirona do Novo México é a Elizabeth Lambert, uma estudante do 3º ano de Terapia Ocupacional. Quem se habilita a uma sessão????

P.S. - Elizabeth foi considerada pela imprensa espanhola como a jogadora mais violenta do mundo. Título mais do que justo.




Domingo, Novembro 08, 2009

Gordo na academia


A pior sensação do mundo é a de um gordo dentro de uma academia. Eu garanto. E não por que nos sentimos – nós, os fofinhos – ridicularizados, fora dos padrões e tal. Na verdade, sabemos que estamos longe dos padrões da estética da moda, dessas futilidades, bem como dos parâmetros de uma boa saúde – e é isto o que, atrelado à falta de tempo para a prática de esportes, nos leva a academia.
O que quero dizer, sem qualquer sintoma de complexo - e todo gordo que sente isso na pele há de concordar comigo – é que, naquele ambiente criado para o levantar e puxar de pesos, para o enrijecer de músculos, somente nós, os cinturinhas de ovo, parecemos normais, parecemos humanos.
Mulheres gostosonas, caras saradões e a gente ali no meio, feito alienígena, à procura de um outro alguém comum, recheado de estrias e celulites, que possa bater um papo sadio no plano das idéias, mas não discuta necessariamente a busca pela perfeição do corpo, suplementos alimentares, dietas, medidas e pesos, esses assuntos chatos que nenhum gordo suporta.
Perambular por este antro de músculos e deserto de gente na essência da palavra é torturante para qualquer obeso. Eu mesmo me sinto só. Estou matriculado na academia por recomendação médica, mas sou indisciplinado. Nem sempre vou e, quando o faço, já chego com vontade de ir embora. A cada exercício, os minutos se arrastam no compasso daquele som insuportável que, dizem, é próprio para academia: “tu-tsi-tu-tsi-tu-tsi-tu-tsi” na cabeça por cerca de uma hora, e quando não é isso, é axé music. Eu peço arrego!
Mas acho que faz parte do processo. Afinal, quem vai à academia, pelo visto, vai para contar, suar, queimar calorias, executar movimentos compassados e cansativos. Não vai para se preocupar com melodias ou coisas do gênero. Não tem tempo nem clima para apreciar um jazz ou uma música clássica.Talvez por isso, os aparelhos também não exijam nada além do esforço repetitivo e condicionado. Para fugir um pouco à regra, quando estou malhando, procuro pensar em outras situações para o tempo de tortura passar mais rápido. Como, por exemplo, os cafés da manhã aos domingos, no mercado central de Aracaju, na companhia de grandes amigos como o Cristiano Prado. Bom papo regado a macaxeira, cuscuz, inhame, ovo frito – famoso bife do zoião ou disco voador –, carne frita, do sol, de carneiro... Ah, se este exercício emagrecesse e mantivesse a saúde em dia!

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

A lua do boêmio

Eis que a lua repousa sobre Aracaju em 04 de novembro de 2009, plena quarta-feira. Embebida na sensibilidade e talento do jornalista, poeta e fotógrafo Nivaldo Menezes, se mostra graciosa. À espera dos acordes de um violão, dos beijos, suspiros e sussurros dos amantes, dos goles compassados e melódicos da poetisa boemia. Sim, a lua espera o boêmio, ansiosa, pois sabe que que ele há de voltar. E enquanto espera, escreve a partitura do seu soneto da fidelidade.
Dedicado ao amigo, jornalista e boêmio Cleomar Brandi.